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HOMEM x INFORMAÇÃO: Modernidades ou Atualismos?

Por Rosane Tesch


Há algum tempo atrás um outdoor do provedor Terra mostrava a figura de uma mulher com um notebook e de um ET com uma pilha de álbuns fotográficos. À primeira vista era possível enxergar um computador contra uma pilha de livros. à "segunda" vista, uma cara feliz (mulher) contra uma desnorteada (ET). E somente à "terceira" vista descobríamos, através da imagem escrita, que se tratava de álbuns e não da vitória do computador sobre o livro. Como estamos falando de outdoor, e da velocidade com que passamos por eles, muitos talvez não puderam chegar à "terceira" vista.


A velocidade está nas ruas, no cinema, online, nas conversas de bar, nos amores. Mas também estava nas grandes navegações portuguesas, no iluminismo europeu, na industrialização mundial e está na globalização. Onde hoje, talvez, o diferencial seja a comunicação em tempo real e a informação, incluindo seus excessos.


Como indivíduos não é difícil extraírmos fragmentos de idéias, conceitos e colocações ou flashes que nos façam navegar pelo moderno. Trocamos e-mails, lemos o noticiário online, às vezes esperando que o resultado de um jogo saia antes de o juiz apitar o final da partida. E tudo isso fazemos com o pensamento voltado para o resto do mundo que nos cerca e que está em velocidade nem sempre constante.

Célia Aparecida Ferreira Tolentino, em Dilemas da Era Fáustica, faz um apanhado de concepções de pensadores da modernidade onde o seguinte trecho de uma análise sobre o filme Até o fim do mundo, de Win Wenders, pode resumir um dos maiores dilemas modernos:

"O indivíduo da nova era: em crise de identidade e localização, saturado da informação, da imagem e do deslocamento veloz do tempo e do espaço na nova máquina da sociedade global do capitalismo radical."

Será esse o indivíduo pós-moderno de Michel Maffesoli que, vindo de uma modernidade que não concretizou seus princípios sociais de progresso técnico e científico, cedeu lugar ao banal e cotidiano, à comunicação frenética e ao tecnologismo desenfreado, à memória imediata e à fragmentação, aos bandos e às tribos, tudo voltado para o já, o agora, o presente?

Ou será o indivíduo utópico de Sérgio Paulo Rouanet que, no decorrer dos tempos modernos, precisa distinguir informação de conhecimento, incitando a problemática do sujeito e seu lugar na história?

As apresentações de modernidade e pós-modernidade são polêmicas, mas não menos que as do indivíduo no mundo moderno. Como este ainda poderia ser repensado? A partir da ótica de Maffesoli, preocupado com as novas formas de sociabilidade na sociedade pós-moderna, ou de Rouanet, centrado na potencialidade política transformadora dos homens?

 

 

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