CONVERSA ANIMADA
Por Bruna Galassi
Quem sou eu?
Sou a mais nova colaboradora do grupo, nem pedagoga,
nem socióloga, apenas mais uma pensadora que
reivindica por cidadania, pela prática dos direitos
humanos e constituintes da nação. Formada
em turismo, foi em uma prática de ensino, durante
a faculdade, que decidi trabalhar como educadora. Após
um ano e meio de trabalho no ProJovem – Programa
Nacional de Inserção de Jovens, percebi
como o acesso à cultura e à educação
é restrito a uma elite econômica e intelectual,
o que me transformou em uma ativista pelo lazer para
/ pela a educação.
A minha causa?
Que um dia a cultura seja democrática, um exercício
crítico sobre os processos culturais e sociais
vigentes, que visa transgredir para outra ordem social
mais justa, de mais possibilidades de criação
e acesso.
Como?
Por meio da Animação Cultural, uma proposta
de intervenção pedagógica social
que pode ser implementada em qualquer espaço
possível de educação, inclusive
nos momentos de lazer, pautada na idéia de mediação,
que busca permitir discussões mais aprofundadas
acerca dos sentidos e significados culturais, que não
se restringe a uma área de conhecimento.
Que cultura?
A cultura está em constante mutação
de acordo com o processo histórico da sociedade,
alguns conceitos, se revistos para a contemporaneidade,
não se enquadrariam com a atual percepção
de cultura. A partir do capitalismo a cultura é
mercantilizada de acordo com os hábitos / padrões
de uma minoria, ligada às elites econômicas,
que deveriam mostrar o que é cultura para o “povão”,
que levou a cultura a ter uma função social
ainda mais forte nos tempos pós-modernos. Atualmente,
a cultura é designada pelos meios de comunicação,
se insere em um contexto de disputas, de tensões,
há na sua produção uma necessidade
estratégica de controle.
Por que falar em lazer?
O lazer é o tempo-livre do homem para exercitar
atividades que lhe proporcionam prazer, sem obrigatoriedade,
pode ser o simples ato de descansar, a prática
cultural, esportiva, educacional, até viagens.
Segundo MELO (2006 – p. 32) o lazer seria aquilo
que as pessoas sentem / percebem como lazer. A questão
passa a ser que condições os indivíduos
têm para que possam desenvolver ou não
seu potencial de sentir / perceber.
Educar para o lazer?
As tecnologias e as atividades de lazer usadas para
reflexão e discussão nos ambientes acadêmicos
são freqüentes, apesar de potencialmente
subutilizadas. Porém, quando o processo se inverte,
poucas instituições assumem essa função:
educar para o lazer, educar para despertar nos jovens
a vontade de participar de processos culturais no seu
momento de lazer, educar para que se tornem cidadãos
que cumpram com os seus deveres sociais, mas que reivindiquem
seus direitos, educar para gerar transformações
sociais por meio da cultura, educar para formar associações
/ movimentos comunitários que façam intervenções
conscientes (só possível com a democratização
do acesso e da participação nos processos
culturais).
Quem pode ser um animador cultural?
O animador é, na verdade, um mediador preocupado
com a ética para a construção da
cidadania, pensando perspectivas de intervenção,
deve estimular uma postura crítica e produtiva
para a formação de cidadãos ativos.
Uma das tarefas do animador cultural é questionar
e problematizar os conceitos de arte e estética
construídos por uma ideologia dominante, livre
de preconceitos e vanguardismos. Todos os movimentos
alternativos de contestação devem ser
considerados para estimular formas de recepção
cultural ativa / crítica.
Quer saber mais?
• MELO, Victor Andrade de. A animação
cultural: conceitos e propostas. Ed. Papirus, 2006 –
Coleção Fazer Lazer.
• MARCELLINO, Nelson Carvalho. Lazer e educação.
Ed. Papirus, 1987 – Coleção Fazer
Lazer.
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