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THEATRO MUNICIPAL DO RIO
UM FRANCÊS COM ALMA E CORAÇÃO BRASILEIROS

Por Ana Paula Ferreira


Como nossa vocação cultural sempre fora latente nas várias representações da cultura brasileira ao longo dos séculos, dispor de um espaço público, onde a culminância artística da nossa cultura tivesse sua representação máxima, era o que faltava para a cidade do Rio de Janeiro. Na verdade, o Dramaturgo e Teatrólogo Arthur Azevedo, no final do século XIX, mais precisamente, em 1894, promovia uma campanha para a construção de um Teatro que pudesse abrigar uma Cia Municipal, que obviamente traria respaldo institucional e político para nossas apresentações.


Somente em 1903, durante o mandato do Prefeito Francisco Pereira Passos essa idéia começou a ganhar forma. Mas, como tudo que envolve política neste país é nebuloso, o que seria um concurso de apresentação de projetos se transformou no caso de nepotismo mais polêmico na história da cultura do Rio, já que dos sete projetos finalistas, um dos dois que dividiam a preferência de execução pertencia ao Arquiteto Francisco de Oliveira Passos, filho do então Prefeito, que abafou a polêmica gerada na Câmara de Vereadores, propondo uma fusão dos dois projetos mais bem colocados no concurso.

Vale ressaltar que o outro projeto empatado com o do filho do Prefeito, fora elaborado pelo Arquiteto francês Albert Gilbert, que na época era Vice-presidente da Associação dos Arquitetos Franceses e vislumbrava com entusiasmo a construção de um teatro nos moldes da Ópera de Paris. E foi a partir de uma fusão e enquadramento dos dois projetos mais bem colocados no concurso que o Theatro Municipal do Rio de Janeiro iniciou sua longeva e brilhante carreira no cenário cultural do Brasil.

Sendo brindado desde a sua construção com o que havia de melhor no circuito das Artes da época, o teatro fora construído com a presença de grandes nomes da pintura e da escultura do Brasil e da Europa. Tendo destaque para os afrescos do teto do palco e da boca de cena, uma divina criação do pintor italiano Eliseu d'Angelo Visconti, e do não menos importante pintor carioca Rodolfo Amoedo e dos Mexicanos José Maria Oscar Rodolfo Bernardelli, Henrique Bernardelli e Félix Bernardelli, mais conhecidos como Irmãos Bernardelli, que fizeram parte do grupo artístico que erigiu uma das nossas maiores preciosidades.

Nada mais justo do que no ano de seu centenário receber como forma de gratidão do povo carioca, e porque não dizer brasileiro, essa homenagem em forma de reforma. Que este magnífico cenário carioca seja brindado mais uma vez, e com o respeito que impõe e suscita com a presença de grandes nomes da arte brasileira.


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