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ARTE E TECNOLOGIA: VIA DE MÃO DUPLA

Por Rosane Tesch

 

Polêmicas à parte quanto ao uso da rede de computadores como instrumento de interação social, a cada dia surgem novos espaços para divulgação de trabalhos artísticos na Internet, seja por lazer ou com objetivos profissionais. São ambientes variados que vão desde Home pages disponibilizadas para artistas em sites específicos de arte até as grandes redes sociais que abarcam milhares de usuários dos mais variados perfis.

A internet está, segundo uma corrente mais forte de pesquisadores e desenvolvedores, em sua segunda geração (web 2.0). Se a primeira se “limitava” a disseminar e popularizar o uso da tecnologia informática, a segunda entrou com a proposta de melhorar e aumentar a colaboração do usuário na construção de conteúdo. Uma terceira geração (web 3.0) está sendo desenvolvida, mas é ainda motivo de controvérsias por, teoricamente, voltar a priorizar questões técnicas em detrimento do fator humano e de avaliação de conteúdo. Mas, voltando ao conceito de rede colaborativa, a rede social Flickr, por exemplo, agrega alguns dos principais valores em seu ambiente. A natural interação entre os membros não obedece fronteira lingüística, os comentários em vários idiomas referindo-se à mesma “obra”, mais ou menos críticos de acordo com a “intenção” percebida, são exemplos disso. Sem excesso de anúncios que poluem as páginas virtuais, são compartilhadas desde imagens lúdicas e objetos de contemplação até fotos do tipo álbum de família/amigos e auto-retratos e são criadas exposições virtuais por membros curadores, com possibilidades de saírem da tela virtual para o mundo real, através do Flickr Night, uma mistura de festa e exposição fotográfica.

Diante de tantas possibilidades de uso da rede virtual, sendo a apresentação de trabalhos artísticos apenas uma delas, algumas perguntas podem ser feitas, principalmente se considerarmos o ambiente virtual como espaço de mercado profissional: como achar e ser achado nesse imenso universo que é a rede virtual? Como se manter visível em ambientes tão sazonais? Como transitar entre o ambiente virtual e o real? Como mensurar valores em um ambiente tão “democrático” e de saberes tão diversos? Essas e muitas outras perguntas precisam, pela própria velocidade em que caminham as tecnologias informáticas e a percepção e subjetividade do sujeito contemporâneo, ser respondidas continuamente, assim como contínuo deve ser o aprendizado sobre as relações entre o homem e a arte, a cultura, a ciência, a tecnologia, enfim, em constante interação.

 

 


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