MUITO MAIS DO QUE UMA SIMPLES LEITURA
Por Ana Paula Ferreira
O que chama a atenção de uma pessoa para
um livro? Uma capa cheia de cores e imagens? A espessura
de um livro, ou melhor, a falta dela? O prestígio
do autor? Essas e outras questões são
prementes quando o objetivo é fazer da leitura
uma ferramenta importante e necessária para o
Letramento de um indivíduo.
Escrever nunca foi o bastante para aquisição
de conteúdo crítico. Se pensarmos que
a escrita deve caminhar juntamente com a leitura, entenderemos
que o Letramento é a contextualização
desses dois artifícios de comunicação
presente diariamente no cotidiano escolar do aluno.
Tanto no processo de Alfabetização de
crianças quanto na Educação de
Jovens e Adultos (EJA) faz-se necessária a prática
da leitura diária. Uma criança ao aprender
a ler e escrever associa automaticamente a palavra à
imagem. Em geral, a maioria dos livros infantis se vale
dessa associação, por meio de ilustrações
para tornar o conteúdo mais compreensível
para as crianças. Assim também ocorre
com o adulto que retorna ao convívio escolar
através da EJA.
Os jovens e adultos assistidos por este programa também
possuem uma capacidade interpretativa pouco desenvolvida,
por isso é muito válido no início
do trabalho literário e gramatical associar conteúdos
a imagens. Isto torna o aprendizado mais prazeroso e
mais efetivo.
A prática da escrita associada ao visual, no
caso dos adultos se deve ao fato de que no Brasil as
pessoas alfabetizadas não exercerem o hábito
da leitura e da escrita, fazendo com que a mistura de
texto e imagem tornem a prática menos árdua.
Em uma aula de Língua Portuguesa, quantos alunos
declaram-se contrários à prática
da leitura em sala de aula? E quantos não demonstram
interesse em construir um texto redacional?
Só a desmistificação de que o aprendizado
da língua materna deve acontecer de maneira isolada
é que fará com que indivíduos possam
exercer com muito mais propriedade a prática
dos códigos lingüísticos através
das habilidades de leitura e escrita.